Régis Fernando Camargo SantosRégis Fernando Camargo Santos
Texts

Sobretrabalho

Recomendação: dê o play e leia com a música ao fundo — Hania Rani — Glass

Meus dias corremcorrem como tudo, corremsão 5eu ouvi o sino tocando, o apito, o sinalfico de péo café me acordae eu preciso ficar sempre de pépela última vez nessa sexta-feira

Hora de parare voltar tardemais tarde que o tardee tudo que eu quero é ficar meio tarde, ou pra lá de tardetudo que eu quero é contrariar o relógiocomo se eu fosse meu próprio donocomo se eu fosse dono do relógio,não as horas

mas o céu não dormeo céu não dormetrabalha o tempo todo, como pode?e não cansa

o que me lembra daquela frasede que os ricos farão de tudo pelos pobresmenos descer de suas costastudofarão de tudomenos tocar no chãofora issoeles farão de tudode tudo pelos pobres

meu, como pode?o céu não dorme

não capotee você fará sua cama sem incomodar ninguéme verão seu corpo estendido no chãoaté que você mesmo acredito que fez o que podeaté que você mesmo sangre e pingue sangue pobre

o que me lembra de pedro pedreiropedro pedreiro pedreiro esperandoum dia de sorteum tremo transporteoutro trem que não volteoutro filho esperandooutro que não voltará pro norte

e toda essa gente que fica pra traz

---------

Um mês inteiro e sem pausaagora eu só quero um nadatalvez doispode ser doisdois é bom

aperto esse parafusocomo quem dá cordana cabeça pra usomartelo o vazio e repitobato como querendo atravessarcomo se pudesse perfurarcomo se eu pudesse quebrar o feitiçoo acordo

espero pelo fimou o começode fazer o que eu quiserpelo tempo que dersem ninguém pra dizer que nãoque não quersem ninguém pra dizer que horas sãoque não é

eu tinha 12 anoseu tinha 17eu tinha todos os anos do mundoe todos se foramnas horas de um relógioda sirene

a verdade é que eu queria relero textocomo quando penso no dia antes de dormircomo quando lembroe limpo as memórias que não querem caberque quero fazer cabermas já são quase seisjá são quase seis horase o trabalho pedepra acabarcomo tudo que tem tempocome tudo que tinha lugaro tempo que não tem tempoo tempo é que nunca tinha lugar

Next text · Não sei o som do concreto