Régis Fernando Camargo SantosRégis Fernando Camargo Santos
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Não sei o som do concreto

Recomendação: dê o play e leia com a música ao fundo — Hania Rani — Glass

Tudo bem, a cidade não é o barulhoou o som que dela se solta.

Nem seus crimesou o concreto armado, tão só.Mas tem algo dos passos,às vezes dos pássaros,dos cães, portõese de pessoas maquinandoe máquinas se cumprimentando.Do som do asfalto,do parque,da multidão e dos buracos.

Alguém freia brusco,mais rpdo,mais deeevaagaaar…Uns galhos tentam se soltar dos fios,outros caem.Treme a plataforma do trem…… e para.

“Direita! A passagem”.E rolam escadas.Motores relincham de força e cansaço.Exaustos de ir até lá,há tanto tempo já.Portas que fecham,metais que seguram o telhado e cabos,elevadores.E mesmo o sino da igreja que mal se escuta,talvez por costume, vá saber,ainda toca.Como se fosse a hora de tocar a nota.

Mais um que diz:“ei, cai fora”.O sinal fecha e algumas pessoas correm.Da urgência de tudo correm.Correm do tempo,da chuva, de medo.Correm do nada.

“Motô, abre a porta!Tem um que vem vindo lá fora.Aqui inda cabe mais um!”Nela tudo se toca e encosta.E como que só por ironiaou sacanagem,De tudo dista,se afasta,ignora.

Um pouco de tudo demora,Um pouco de tudo DEVORA

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