Régis Fernando Camargo SantosRégis Fernando Camargo Santos
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Retas imaginariamente curvas

Recomendação: dê o play e leia com a música ao fundo — Hania Rani — Glass

Entre as linhas longas e paralelas dos galpões,a via rápida,o rio retificadoe o rio dos trilhos onde correm os trens,atravessam os sentimentose uns poucos ficam suspensos.

Às vezes acredito,às vezes não.E não entendo como nunca.Imagino daqui,detrás da imagem,o movimento das coisas.Nos agudos apitos,nos berros em ré dos gritos mecânicos,ininteligíveis.Das paredes-concreto,do metal apertado e contrariado.Ou não são metais?

Como a grama viva que abre o picheou faz a cama na telha.Como o sol que encontra uma brechanum risco fenda de muro.

Casinhas,ou quase casinhasou quase cantinhos.E entre elas,quase espacinhos,quase olhinhos,quase caminhos.Querendo espalhar-se.

Onde moram?Onde moram os rostos fortesque recolhem-se nelas?Que lutam e sabem que lutame encontram ali um repouso,cantos com quinase céus... próprios.

Os espaços somos nós em fixo?Aqueles que nos escolhem,aqueles que nos engolem,aqueles que nos acolhem.

Esse perímetro que destoa,se preenche de si e observacom caras e bocase sombras que se sobrepõem.Então se tocam,brigam, se abraçam e se dividem.Pelo espaço,pela falta dele,por eles mesmos.E assim se alargam como podem.Como podem.Como podem?

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