Nunca dá um
Recomendação: dê o play e leia com a música ao fundo — Hania Rani — Glass ↗
Gosto de me lembrar das pessoas pelo nomeDe reconhecê-lasEm cada umE me interessar por elasGenuinamentePela obra da vida delasPor suas páginas escritasE pelas em brancoPelas arrancadas de repenteDevagar,Pelas escritas com descuido, afeto, com pressaPelas lembranças acordadas num cheiroComo nadaPela boca que franze quando estranhamE de quando cansadas,Na surpresa de um dia bomRugam os olhos Ou ombrosE de quando se atravessamQuando se encontram,Me chamamNum cada umNum cada um.
As pessoas são tantos de profundidadeSão marés cheiasSão complexas, incompletasInacabáveisSão meu motivo, razão e a falta delaSão tanta coisa e não cabem
São minha coragemUma rima fácil…As pessoas são um infinito de tudocomo um campo sem cerca
As pessoas são tudo e tudoE ainda assimNão se reduzem numa palavraE todo tempo do mundoE toda história que nasce delasNão cabe em nenhuma delasNão cabe em mimNão cabe em nenhum
E quando eu junto tudo
Nunca dá umNunca dá umNunca dá um…

