Régis Fernando Camargo SantosRégis Fernando Camargo Santos
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Nunca dá um

Recomendação: dê o play e leia com a música ao fundo — Hania Rani — Glass

Gosto de me lembrar das pessoas pelo nomeDe reconhecê-lasEm cada umE me interessar por elasGenuinamentePela obra da vida delasPor suas páginas escritasE pelas em brancoPelas arrancadas de repenteDevagar,Pelas escritas com descuido, afeto, com pressaPelas lembranças acordadas num cheiroComo nadaPela boca que franze quando estranhamE de quando cansadas,Na surpresa de um dia bomRugam os olhos Ou ombrosE de quando se atravessamQuando se encontram,Me chamamNum cada umNum cada um.

As pessoas são tantos de profundidadeSão marés cheiasSão complexas, incompletasInacabáveisSão meu motivo, razão e a falta delaSão tanta coisa e não cabem

São minha coragemUma rima fácil…As pessoas são um infinito de tudocomo um campo sem cerca

As pessoas são tudo e tudoE ainda assimNão se reduzem numa palavraE todo tempo do mundoE toda história que nasce delasNão cabe em nenhuma delasNão cabe em mimNão cabe em nenhum

E quando eu junto tudo

Nunca dá umNunca dá umNunca dá um…

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